Laboratório de Genética Animal do INPA publica trabalho sobre cariótipo do jaraqui

O trabalho intitulado “Stable Karyotypes: a general rule for the fish of the family Prochilodontidae”  foi publicado online em 01 de fevereiro de 2012 na revista Hydrobiologia, a partir de dados gerados pela MSc. Maria Leandra Terencio, doutoranda do Laboratório de Genética Animal do INPA (participante do ADAPTA) e orientada pela Dra. Eliana Feldberg. São co-autores do trabalho MSc. Carlos Henrique Schineider, Dra. Claudia Gross, Dr. Marcelo Ricardo Vicari e Dra. Eliana Feldberg. Com o intuito de divulgar os resultados dos trabalhos que tem sido desenvolvidos no âmbito do ADAPTA, a Dra. Vera Val, coordenadora do laboratório sede do ADAPTA e Coordenadora de Programas Aplicados do projeto entrevistou Terêncio. Leia abaixo a entrevista na íntegra: 

 

O que são Cariótipos Estáveis?

 

O termo “estabilidade caritípica” é utilizado para referir um nível muito baixo de variação tanto na morfologia quanto no número cromossômico. Quando falamos de cariótipos estáveis nos referimos à estrutura cariotípica dos peixes da família Prochilodontidae. As espécies que compreendem essa família posuem um conjunto de características  morfológicas muito similares o que dificulta a distinção destas espécies nos estudos de sistemática filogenética, Esta estabilidade é estendida ao nível cromossomico. Utilizando ferrramentas da citogenética clássica é impossivel distinguir o cariótipo destas espécies pois todas elas apresentam um número diplóide de 54 cromossomos do tipo metacentricos e submetacêntricos. Entretanto, utilizando ferramentas da citogenética molecular, através do mapeamento físico de genes ribossomais (5S e 18S) verificamos que esta estabilidade não se estende ao nível genômico, já que diferenças na localização destes genes foram verificadas em duas espécies de Semaprochilodus, o jaraqui escama fina e o jaraqui escama grossa.

 

Por que e quando ocorrem?

 

Por que certos grupos apresentam cariótipos estáveis é uma pergunta cuja resposta não é simples nem direta, muitos fatores contribuem para isso: a seleção natural, tempo evolutivo, distribuição geográfica, quantidade de DNA, estrutura e número cromossômico, entre outros.

 

Qual a importância deste trabalho no âmbito do projeto ADAPTA?

 

Os resultados deste trabalho são importantes no âmbito do projeto ADAPTA pois trata-se de um estudo genético o qual contribui com informações relevantes a respeito de um peixe muito popular na nossa região, o jaraqui. Observamos que o ambiente genômico nestas espécies é dinâmico refletido na grande quantidade de sítios de DNAr 5S detectados. Mas muitas perguntas ainda precisam ser respondidas, como por exemplo: Que fatores influenciaram e/ou influenciam na mobilização destes sítios?

 

Você pretende continuar nesta linha de estudo?

 

Pretendo sim. Este artigo refere-se ao primeiro capítulo da minha tese de doutorado. Acreditamos que as sequencias repetitivas contribuem grandemente nessa dinâmica evolutiva, por conta disso, estamos realizando um mapeamento destas sequencias repetitivas no genoma das duas espécies de jaraqui. Além disso, estamos investigando o sistema de cromossomos sexuais presente no jaraqui de escama fina: Por que somente esta espécie na família Prochilodontidae apresenta cromossomos sexuais diferenciados? Para tentar responder esta questão, isolamos o cromossomo W por meio da microdissecção cromossômica e obtivemos sequencias de DNA W-específicas.

Como as mudanças climáticas poderiam afetar esse tipo de arranjo cariotípico?

 

As mudanças climáticas poderiam sim afetar a estrutura cromossômica. Alguns resultados preliminares  já indicam que o genoma destas espécies (jaraqui) é rico em sequencias repetitivas, inclusive retrotransposons, que são sequencias móveis  que conferem alta instabilidade genômica, podendo silenciar, inativar e duplicar cópias gênicas.  É sabido que um dos mecanismos que levam a ativação e mobilização destes elementos transponíveis é o stress celular, que pode ser desencadeado pelas mudanças climáticas. Estudos realizados com outras espécies de peixes indicam uma variação no
padrão de distribuição de elementos transponívies conforme o tipo de água em que habitam (preta, branca e clara). O mesmo resultado foi encontrado ao comparar peixes que vivem no ambiente antropizado e não antropizado.

 

Você teria como testar alguma mudança no cariótipo desses indivíduos por meio de experimentos nos microcosmos?

 

Acredito que experimentos que envolvam alterações nas caracterísiticas fisico-químicas da água poderiam alterar o genoma de forma sutil, mas não evidenciável ao nível cariotípico.