Pesquisadores do LEEM classificam risco de extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) como ‘retrocesso e erro estratégico’

Por Ana Luisa Hernandes

 

Alunos do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM) do INPA acompanharam, nesta terça-feira (3), audiência pública realizada na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) para debater a possível extinção da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). A reunião foi presidida pelos deputados estaduais José Ricardo (PT) e Luiz Castro (PPS), e contou com a presença de comunidades científicas, acadêmicas e órgãos ambientalistas do Amazonas.

 

A medida faz parte do Projeto de Lei n° 43/2015, proposto pelo governador José Melo (PROS), que estabelece uma reforma administrativa estadual. Segundo ele, a Secti não seria extinta, mas sim transformada em um departamento da Secretaria de Estado de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (Seplan). A proposta desagradou as autoridades presentes, entre elas o ex-secretário da Secti, Odenildo Sena, os reitores da UEA e UFAM, Cleinado Costa e Márcia Perales, pesquisadores e professores, que a classificaram como um grande retrocesso à ciência, tecnologia e inovação no estado.

 

De acordo com o coordenador do projeto INCT para Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (ADAPTA) do INPA, Adalberto Val, caso a medida seja aprovada, o Amazonas servirá de exemplo sobre como não se deve fazer ciência e tecnologia no país. “Trata-se de um erro estratégico extremamente significativo, porque voltaremos aos tempos escuros em que a ciência e a tecnologia tinham um papel secundário, quando, na verdade, estas são atividades vitais no mundo moderno”, enfatizou.

 

Já para a coordenadora de Programas Aplicados do INCT ADAPTA, Vera Val, o governador e sua equipe assumiram uma posição corajosa ao sugerirem a extinção de uma secretaria que foi trabalhada, pensada e articulada desde a Constituinte Estadual de 1988. “É um atraso acreditarem que não produziríamos novos medicamentos com base em produtos regionais e que nosso povo não possui inteligência suficiente para criar um modelo de desenvolvimento na floresta com sustentabilidade ambiental, social e econômica. Esse governo entrará para a história como despreparado e ignorante da própria realidade regional e do país”, criticou.

 

No entanto, o fim da Secti ou sua incorporação à Seplan não deverá afetar somente a comunidade científica e ambientalistas. Os alunos de pós-graduação que dependem das bolsas de estudo oferecidas por agências de fomento, como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), também poderão ser prejudicados.

 

“Sem dúvida, seremos os principais atingidos, visto que teremos uma provável limitação dos recursos disponíveis hoje para a pesquisa, e isso, sem dúvida, será um passo atrás não somente para o Amazonas, mas para a formação de recursos humanos no estado”, afirmou o aluno do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura do INPA, Renan Amanajás.