Peixe acará-bandeira pode intensificar coloração para indicar inferioridade social na hierarquia da espécie

Por Ana Luisa Hernandes

 

Com o intuito de avaliar as alterações nos indicadores de estresse, relacionando o status social da espécie de peixe Pterophyllum scalare, conhecida como acará-bandeira, à expressão do gene EGR1 ligado a seu comportamento agressivo, a aluna do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins em associação com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Andreza Batista Lopes, desenvolveu sua dissertação de mestrado.

 

Com o título “Interações agonísticas, indicadores de estresse e expressão diferencial do gene EGR1 do ciclídeo ornamental acará-bandeira, Pterophyllum scalare”, o trabalho foi defendido no dia 19 de agosto, no bloco Unicenter, localizado na Universidade Nilton Lins, e contou com a presença de pesquisadores, alunos e da orientadora Dra. Vera Maria Fonseca de Almeida-Val.

 

De acordo com Lopes, a espécie Pterophyllum scalare pertence à ordem dos Perciformes, à família Cichlider, se caracteriza pela coloração metálica, contém quatro listras negras transversais ao corpo, escamas, e olhos avermelhados. O acará-bandeira também possui uma distribuição geográfica que compreende as bacias Amazônica e do Orinoco. “A importância de estudar essa espécie se deve ao seu comportamento e variações em parâmetros como a alimentação e a reprodução”, ressaltou.

 

Para isso, os animais foram coletados no Lago Catalão, em Manaus-AM, aclimatados no Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM) do Inpa, mantidos por 15 dias em tanques de 2.000 litros, e alimentados duas vezes por dia com ração. Ao todo, foram realizados dois experimentos: um de interação aguda e outro de interação crônica. “Na aguda, 20 peixes de características e comportamentos semelhantes foram isolados por 72h em aquários de 60 litros revestidos por lona para evitar que interagissem com o meio externo. Após esse tempo, a barreira foi retirada e os animais iniciaram as interações, que foram filmadas sempre no horário de 14h às 16h, período em que, segundo vários pesquisadores, a espécie apresenta maior agressividade”, explicou a mestranda.

 

Já na etapa crônica, foram utilizados 30 peixes semelhantes, que se mantiveram isolados por 72h, individualmente, em aquários de 60 litros revestidos por lona, e, após esse tempo, foram acomodados em trios em cada aquário e alimentados uma vez por dia com ração, permanecendo dez dias nessas condições. As filmagens das interações aconteceram também de 14h às 16h. “Para classificar a interação social dos peixes, utilizamos as denominações vencedor e perdedor na interação aguda, e dominante e submisso na interação crônica”, disse a aluna.

 

Ao final da pesquisa, Lopes verificou que o aumento da expressão do gene EGR1 no cérebro e a consequente intensificação da coloração dos acarás-bandeira perdedores frente aos vencedores podem significar uma sinalização visual da inferioridade social desses indivíduos. Assim, a expressão do EGR1 se mostrou relacionada ao estabelecimento da hierarquia dessa espécie, no entanto, não representou um sinal de agressividade nos animais. Por essa razão, a pesquisa continuará buscando o gene ou o conjunto de genes responsáveis pela característica agressiva do P. scalare, ou seja, o que faz um indivíduo ser submisso ou dominante.