Mutação de gene favorece o desenvolvimento do câncer em seres vivos

Por Ana Luisa Hernandes

 

O conceito de mutação compreende modificações dos genes que podem ocasionar doenças genéticas, morte celular, e até mesmo câncer. Sem esse fenômeno, não existem variações das características em organismos ou populações, adaptações a mudanças ambientais ou evolução. No entanto, onde esse processo acontece? Como ele surge? O que desencadeia?

 

Essas e outras perguntas foram respondidas durante o seminário “Mutações: da diversidade genética ao câncer”, ministrado pela mestranda Nayara Sousa Castro na terça-feira, 3 de junho, no auditório do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), localizado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA/MCTI). Pesquisadores, bolsistas e a orientadora, Vera Val, prestigiaram a apresentação.

 

De acordo com a pesquisadora, as mutações podem ocorrer em diferentes regiões do genoma de um organismo, como as que codificam proteínas, e as não-codificadoras, como os íntrons e as sequências reguladoras da transcrição, bem como nas células somáticas (cujos genes não são passados para gerações futuras) e germinativas (herdáveis). “A mutação é a matéria bruta da evolução, alvo de estudos evolutivos e adaptativos, sendo responsável por determinar a diversidade genética das populações e seu potencial adaptativo frente aos desafios ambientais”, afirmou.

 

Ainda segundo Nayara, as mutações são classificadas em espontâneas e induzidas. As espontâneas acontecem de maneira natural em todas as células, e surgem durante a replicação de uma molécula de DNA pela inserção de um elemento de outro local do genoma, conhecido como transposon, dentre outras situações. Já as induzidas desencadeiam-se por agentes mutágenos, como o raio ultravioleta (energia emitida pelo sol), o raio-x (energia semelhante à luz solar) ou o raio gama (radiação produzida por elementos radioativos e usada para esterelizar equipamentos médicos e alimentos).

 

No decorrer da palestra, a mestranda destacou que uma das doenças mais perigosas do mundo, o câncer, está estreitamente relacionada a alterações genéticas. “Uma única mutação não é suficiente para desencadear o câncer. Se isso acontecesse, os seres humanos, provavelmente, não existiriam, não seríamos organismos viáveis. Por isso, são necessários vários acidentes e erros na linhagem das células para que se desenvolva um sistema cancerígeno”, explicou a mestranda. O avanço de tumores envolve ciclos sucessivos de mutação e seleção natural.

 

Sendo assim, um dos genes responsáveis pelo desenvolvimento do câncer no organismo é o p53, que está envolvido no controle da apoptose, ou seja, a autodestruição celular, e oferece respostas para lesões no DNA, baixa concentração de oxigênio (hipóxia), dentre outros. A pesquisadora Nayara Castro encerrou o seminário relatando que a grande maioria dos cânceres apresenta mutação no p53. “Muitas mutações podem contribuir com um ou outro tipo de comportamento celular inadequado que promove o desenvolvimento do câncer, mas as mutações no gene p53 desencadeiam todos eles”, completou.