Nível de especialização de organismos não está relacionado ao tamanho do genoma

Por Ana Luisa Hernandes 

 

O doutorando em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (GCBev/Inpa/MCTI), Marcos Prado Lima, apresentou na terça-feira, 8 de abril, a palestra “Importância dos fatores de transcrição para a regulação da expressão gênica” no auditório do LEEM. O orientador do trabalho, Dr. Adalberto Luis Val, pesquisadores e bolsistas assistiram à apresentação.

 

“Quando observamos a grande diversidade de organismos existentes hoje no planeta, desde bactérias, fungos, animais e plantas, pensamos: como tudo isso foi originado? De que maneira um ancestral comum teria dado origem a organismos tão diferentes com especializações, metabolismos e funções celulares próprias ao longo do processo evolutivo?”, indagou o pesquisador.

 

As respostas para essas inquietações, segundo ele, podem estar no que conhecemos como genoma, ou seja, o código genético responsável por armazenar todas as informações de um indivíduo, seja ele eucarionte (apresenta núcleo celular) ou procarionte (não apresenta núcleo celular). “Existia na genética uma associação de que quanto maior o genoma de um organismo, mais especializado ele era. Porém, isso não ocorre de fato. Os organismos mais especializados na árvore da vida não são os que possuem o genoma maior”, garantiu.

 

Para comprovar essa constatação, Marcos Prado comparou a quantidade de DNA presente nos genomas humano, da cebola e da ameba, e verificou que esta última possui um genoma quase 200 vezes maior que o do homem. “Nos seres procariotos, conseguimos perceber que a quantidade de genes está relacionada ao tamanho do genoma. Já nos eucariotos, isso não acontece. Então, de que adianta a ameba ter 680 giga pares de bases se não conta com muitos genes?”, questionou.

 

Ainda de acordo com o pesquisador, indivíduos eucariotos apresentam maior capacidade de especialização em relação aos procariotos devido à presença dos fatores de transcrição, que são um conjunto de proteínas associadas ao DNA de células eucarióticas que promovem a ligação entre a enzima RNA polimerase e o DNA, possibilitando e regulando a expressão gênica. No entanto, para que esse processo aconteça, diversos fatores de transcrição precisam atuar juntos e sincronizados, a fim de que o controle da regulação da expressão gênica ocorra como esperado.

 

Marcos Prado finalizou o seminário destacando que os fatores de transcrição regem o modo como os genes são traduzidos e como a RNA polimerase controla o desenvolvimento do organismo regulando sua expressão gênica. “Todo o nosso nível de especialização passa por um controle muito fino feito, principalmente, pelos fatores de transcrição. Na verdade, são esses processos, muito mais que o número de genes, que diferenciam organismos simples de complexos, a partir do ponto de vista genético”, concluiu.