Herança genética determinará sobrevivência de espécies em cenários climáticos futuros

Por Ana Luisa Hernandes

 

De que maneira espécies de peixes, anfíbios, répteis e mamíferos responderão às mudanças climáticas daqui a 100 anos? Será que essas populações irão se adaptar aos diferentes desafios impostos pelos ambientes que as cercam? Quantas delas conseguirão se perpetuar e quantas entrarão em extinção?

 

Os questionamentos são muitos e serviram de ponto de partida para o pós-doutorando do projeto Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta/Inpa), Carlos Henrique dos Anjos dos Santos, desenvolver a pesquisa intitulada “Genômica da conservação: fatores que interagem na conservação de populações naturais”. O estudo foi orientado pela Dra. Vera Maria Fonseca de Almeida-Val e exposto no auditório do LEEM na terça-feira, 1º de abril.

 

De acordo com o pesquisador, existem diferenças entre populações naturais e seu modo de evolução, em relação a espécies que se encontram em ambientes confinados e alterados pelo homem. “A genômica da conservação pode ajudar a compreender como essas espécies se adaptam, quanto aos níveis de diversidade genética, a partir da utilização de novos marcadores (herança genética)”, afirmou.

 

Ainda, segundo o autor da pesquisa, a genômica da conservação consiste no uso de técnicas ligadas à genômica funcional – que descreve a função de genes e proteínas – aplicadas ao estudo da genética da conservação (ex: os motivos para a redução de tamanho de determinada população). Além disso, esse processo utiliza genes que podem estar relacionados a algum mecanismo de adaptação de espécies às mudanças climáticas, por exemplo, e é responsável por mapear grande quantidade de informações presentes no genoma (material genético localizado no núcleo das células de um ser vivo).

 

Carlos Henrique dos Santos também destacou que a genômica da conservação analisa as respostas adaptativas das populações com a ajuda de marcadores específicos como SNPs (Single Nucleotide Polimorphysms), os quais evidenciam um processo adaptativo local na espécie, e RADs (Restriction Sites Associated DNA) colocar o que significa a sigla), que mapeiam o genoma para verificar quais genes podem ser associados ao processo de adaptação. Dentre alguns fatores ligados a esse processo estão: a taxa de migração de genes entre populações; a adaptação local; e a perda da variação adaptativa. “Todos esses fatores desencadeiam a variação na taxa demográfica (saldo entre natalidade e mortalidade) em determinado ambiente e o crescimento populacional de forma vertiginosa ou lenta devido aos métodos de adaptação”, disse.

 

Ao final do seminário, o pós-doutorando revelou que a genômica da conservação oferece resultados maiores e mais precisos sobre a adaptação e conservação das espécies até mesmo em cenários futuros. “Com ela, é possível compreender melhor a quantidade de marcadores utilizados na adaptação das espécies e o significado da variação genética em populações”, completou.