Pesquisador diz que fotoperíodo e temperatura interferem no crescimento de peixes cultivados

Por Ana Luisa Hernandes

 

“Endocrinologia do crescimento em peixes: efeitos de variáveis ambientais e aplicações em aquicultura”. Este foi o tema do seminário da última terça-feira, 11 de fevereiro, ministrado pelo mestrando do Programa de Pós-Graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins, em convênio com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Renan Diego Amanajás Lima da Silva. O trabalho foi orientado pelo Dr. Adalberto Luis Val. Bolsistas e pesquisadores prestigiaram a apresentação que ocorreu no auditório do LEEM.

 

De acordo com o pesquisador, o principal agente responsável pelo desenvolvimento somático e linear dos peixes é o hormônio do crescimento ou growth hormone (GH), produzido na região proximal da hipófise e portador de uma propriedade denominada pleiotropia, fenômeno em que um único gene possui controle sobre manifestações de diversas características.

 

“O hormônio do crescimento atua no metabolismo energético, na reprodução, na osmorregulação (equilíbrio de água e sais minerais no organismo), no comportamento alimentar, na imunidade, e no crescimento somático (processo em que os indivíduos alteram de forma contínua seu tamanho e forma em um intervalo de tempo) dos peixes”, descreveu o mestrando.

 

Renan Amanajás também destacou que vários elementos são responsáveis por estimular ou inibir a síntese do GH, dentre eles: a quantidade e disponibilidade do alimento; a qualidade nutricional do alimento que o peixe, tanto na natureza quanto em cativeiro, consome; o sexo e a idade dele; o estresse; e fatores ambientais. “A regulação de síntese e liberação do hormônio do crescimento é feita a partir de feedbacks positivos e negativos. Vários hormônios interferem sobre a expressão da atividade regulatória exercida pelo GH, sendo estabelecido um complexo sistema”, explicou.

 

No que diz respeito à inibição ou síntese do GH provocadas por fatores ambientais, foco predominante nesta pesquisa, o fotoperíodo (número de horas de exposição à luminosidade), o oxigênio e a temperatura, associados ao regime alimentar dos peixes, aparecem como fundamentais à promoção do desenvolvimento somático destes animais.

 

“Manter o peixe cultivado exposto a um fotoperíodo prolongado pode aumentar ou diminuir o nível de liberação do hormônio do crescimento, interferindo sobre o desempenho do animal. Já o oxigênio, que possui sua solubilidade na água determinada pela temperatura, funciona como um fator limitante ao processo de aquisição ou manutenção de energia do animal, a fim de que ele cresça de maneira satisfatória, já que o metabolismo é regulado por esta energia”, relatou o mestrando.

 

Ao concluir a palestra, o pesquisador afirmou que o fotoperíodo e a temperatura aparecem como os principais fatores ambientais que interferem no crescimento de peixes nas fases larval, pós-larval e juvenil. Além disso, ele enfatizou a importância de se estudar estes animais em todas as fases (larval, juvenil e adulta), e a preocupação em melhorar a eficiência alimentar utilizando a manipulação de variáveis ambientais como uma ferramenta de estímulo endógeno aos fatores relacionados ao crescimento em peixes cultivados.