Utilização de hormônios em espécies de peixes pode beneficiar a Aquicultura

Por Ana Luisa Hernandes

 

O mestrando do curso de Pós-Graduação em Aquicultura da Universidade Nilton Lins, em convênio com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Arlan de Lima Paz, apresentou nesta terça-feira, 14 de janeiro, a palestra “Efeitos do GH (growth hormone) e sua importância na Aquicultura”, abrindo a programação de seminários de 2014 no auditório do LEEM. Pesquisadores, bolsistas e o orientador do projeto, Dr. Adalberto Luis Val, acompanharam a apresentação.

 

Segundo o pesquisador, de 2007 a 2009, o setor de Aquicultura foi o que mais se desenvolveu em relação às outras atividades agropecuárias. “No cenário mundial, o Brasil produziu 479,4 mil toneladas de peixes, tornando-se o terceiro maior produtor das Américas, e o 17º entre os maiores produtores mundiais em 2010, de acordo com o último censo”, destacou. Já na Região Norte, o crescimento do setor foi significativo se comparado a outras localidades. “Algumas características são favoráveis a isso, como a abundância em recursos hídricos e o alto índice de consumo de peixes na Amazônia. Porém, precisamos focar na pesquisa de espécies nativas e desenvolver essa atividade visando o avanço econômico e social na região”, alertou.

 

Após enfatizar a importância da Aquicultura, Arlan Paz apresentou as característicase ações do hormônio do crescimento em vertebrados, foco principal de seu estudo. “O GH modula parte dos processos que atuam no crescimento e desenvolvimento celular dos organismos. Os efeitos dele afetam não somente o crescimento dos vertebrados, mas características fisiológicas e comportamentais como eficiência na conversão alimentar, apetite, composição corporal, imunidade, além de estar envolvido nos processos de reprodução, osmorregulação e tolerância à hipóxia”, afirmou.

 

A partir da realização de experimentos e análises em espécies de peixes por outros cientistas, tendo como base o hormônio do crescimento, foi possível comprovar que o GH: (i) estimula o metabolismo celular destes animais; (ii) altera o padrão de resistência à hipóxia em peixes geneticamente modificados (transgênicos); (iii) proporciona maiores gastos osmorregulatórios; e, em caso de aplicação de hormônio bovino, (iv) favorece o crescimento dos peixes de modo mais eficaz.

 

O pesquisador concluiu a palestra de maneira crítica, alegando que o uso do GH tem se mostrado efetivo, mas parece ainda não ser viável em escala comercial, e que os efeitos provocados por este hormônio no organismo dos peixes devem ser melhor investigados.