Diversidade genética permite adaptação de espécies a ambientes modificados pelo homem

Por Ana Luisa Hernandes

 

“Conservação genética de peixes tropicais”. Este foi o tema da palestra desta terça-feira, 10 de dezembro, ministrada pelo pós-doutorando Carlos Henrique dos Anjos dos Santos. Pesquisadores e bolsistas prestigiaram a apresentação realizada no auditório do LEEM.

 

Tendo em vista as destruições provocadas pelo homem em relação ao meio ambiente e aos seres vivos que o compõem, é impossível pensar na conservação da biodiversidade atual e futura sem a contribuição da ciência, no que diz respeito a utilização de modificações genéticas como ferramentas benéficas e eficientes para uma possível salvação destas espécies. Assim, o mau uso ou a destruição da natureza e seus componentes, nos leva a pensar em um caminho sem volta: a extinção.

 

Segundo Carlos Henrique dos Santos, a extinção consiste em um processo natural que pode levar milhões de anos para eliminar uma espécie. Os principais fatores que contribuem para este fenômeno são a perda do habitat, a poluição, a inserção de espécies exóticas em ambientes que não são de sua natureza, as fragmentações causadas pelo homem como construções de usinas hidrelétricas e estradas, a superexploração econômica de áreas, e a caça predatória.

 

Ainda de acordo com o pesquisador, o desaparecimento total de espécies pode ocorrer de três maneiras. A primeira, conhecida como extinção de fundo, acontece quando uma espécie é substituída por outra através da mudança de ecossistemas; a segunda, chamada extinção maciça, é proveniente de alguma catástrofe natural; e a terceira, extinção antrópica, dá-se quanto as alterações provocadas nos ecossistemas pelo homem. O estudo destaca que 2 a 8% das espécies atuais estarão extintas em 25 anos.

 

Apesar deste dado preocupante, existe uma luz no fim do túnel: a diversidade genética, crucial para que as espécies, em geral, se perpetuem durante gerações ou mesmo milhares de anos em determinadas regiões. Carlos Henrique dos Santos explicou que caso esta diversidade seja alterada, ocorrerá uma disfunção no número de descendentes que os peixes tropicais, por exemplo, possam deixar, interferência na fertilidade, e até mesmo infertilidade em algumas delas.
A variabilidade genética também possibilita que as espécies (em geral, ou de peixes tropicais conforme o estudo) se adaptem a ambientes mutantes, principalmente, aqueles modificados pelo homem. Se ela for baixa em vários genes de uma mesma espécie, esta terá sério risco de extinguir-se, o que normalmente acontece em cruzamentos com indivíduos aparentados.

 

Ao final da palestra, o pesquisador ressaltou que o Brasil concentra 20% das espécies de peixes total do planeta, sendo que 5.000 a 8.000 espécies de peixes de água doce encontram-se na Região Amazônica.