Uso de herbicida para controlar plantas aquáticas infestantes no entorno de tanques pode prejudicar saúde de peixes

Por Ana Luisa Hernandes

 

O auditório do LEEM recebeu nesta terça-feira, 3 de dezembro, a palestra “Os efeitos do Roundup em peixes”, ministrada pela aluna de iniciação científica Susana Braz Mota. O estudo foi orientado pela Dra. Vera Maria Fonseca de Almeida-Val, e o evento contou com a participação de pesquisadores e bolsistas.

 

O trabalho avaliou como a utilização do Roundup – um herbicida formado por sal glifosato e surfactante polioxietilenoamina (POEA), caracterizado por seu nível de toxicidade – pode afetar organismos aquáticos, como os peixes, a partir do contato destes animais com a substância.

 

Segundo Mota, no Brasil, o Roundup costuma ser aplicado na agricultura a fim de eliminar pragas, principalmente nas plantações de soja, arroz irrigado e cana-de-açúcar. Já na Amazônia, este herbicida é usado em torno de tanques de piscicultura, com o objetivo de controlar plantas aquáticas infestantes nestes locais.

 

Ainda de acordo com a pesquisadora, o tambaqui, espécie de peixe símbolo da Amazônia, foi escolhido para o estudo por ser bastante utilizado na aquicultura e resistente a doenças e águas pobres em íons.

 

O experimento foi então delineado da seguinte forma: três tambaquis ficaram expostos durante 96 horas a duas concentrações do herbicida, uma de 10mg/litro e outra de 15mg/litro. Após este período, sangue, fígado, brânquias e cérebro destes animais foram retirados para averiguação.

 

Por fim, a partir dos biomarcadores utilizados nas análises realizadas, a concentração maior, ou seja, a de 15mg/litro, foi a que mais gerou alterações nos organismos dos peixes. O Roundup não promoveu mudanças osmoregulatórias nos tambaquis estudados, porém, foi capaz de modificar parâmetros bioquímicos, fisiológicos, morfológicos, neurotóxicos e quebras de DNA dos animais.