Pesquisadora afirma que biomarcadores contribuem para detecção de contaminantes em peixes amazônicos

Por Ana Luisa Hernandes

 

A doutoranda do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Helen Sadauskas-Henrique, apresentou nesta terça-feira, 26 de novembro, a palestra “Biomarcadores de contaminação ambiental” no auditório do LEEM. O evento, que ocorre todas as terças à tarde, contou com a participação da orientadora do projeto Dra. Vera Maria Fonseca de Almeida-Val, outros pesquisadores e bolsistas.

 

O trabalho apresentou os tipos de biomarcadores – indicadores que sinalizam eventos no sistema biológico – e como eles contribuem para apontar possíveis danos em peixes amazônicos nos níveis individual, de populações e de comunidades, tendo em vista modificações no ambiente em que vivem, principalmente aquelas provocadas pelo homem, como a liberação de agentes tóxicos no ambiente aquático.

 

Para isso, a pesquisadora apresentou dois estudos realizados em laboratório com dois tipos de substâncias tóxicas. O primeiro tratou da avaliação das brânquias (danos bioquímicos e morfoanatômicos) e do fígado, um dos principais órgãos de desintoxicação de tambaquis expostos ao Roundup, um herbicida comumente utilizado ao redor de tanques de piscicultura. O segundo abordou o derramamento acidental de 60 mil litros de petróleo asfáltico no Porto do São Raimundo em abril, e o consequente impacto deste acidente sobre as populações de peixes residentes nesta região.

 

Segundo Sadauskas-Henrique, águas com baixa salinidade, como as que compõem o Rio Negro, apresentam maior solubilidade dos hidrocarbonetos do petróleo, ou seja, os peixes aclimatizados nestas águas estão sujeitos a níveis de genotoxicidade e hepatotoxicidade maiores do que outras espécies que residem nos mares, por exemplo.

 

A fim de compreender os impactos dos agentes contaminantes provenientes do derramamento de petróleo nos organismos dos peixes, foram analisados animais coletados no local do derramamento após 15, 30 e 60 dias decorridos do acidente. Para comparação com um ambiente livre de contaminantes, a doutoranda escolheu o Lago do Tupé, localizado em uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), a 24 quilômetros rio acima do Porto do São Raimundo, em Manaus, onde ocorreu o acidente. Assim, 147 exemplares de quatro espécies diferentes de peixes foram colhidos e analisados. Foram coletados sangue, vesícula biliar e fígado destes animais para verificar a presença de hidrocarbonetos na bile e alterações de biomarcadores de efeito e toxicidade. A pesquisadora afirmou que tanto na coleta de 30 quanto na de 60 dias houve aumento na concentração dos hidrocarbonetos na bile. Em 60 dias, os peixes também estavam metabolizando e absorvendo mais as substâncias do ambiente.

 

Ao final da palestra, a cientista destacou que os biomarcadores foram efetivos ao apresentar os efeitos negativos que o derramamento de óleo teve sobre os peixes daquela região.