Pesquisadores do ADAPTA participam da Reunião Magna da ABC

Agricultura, água, energia e florestas foram alguns dos assuntos do primeiro dia do evento realizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo tema foi “Ciência para o Desenvolvimento Sustentável”.

 

O evento ocorreu do dia ao 10 de maio e contou com a presença de autoridades de diferentes instituições científicas, além da presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp e  a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. As discussões foram amplas, mas em muitos momentos se focaram na Amazônia.

 

“Estamos em um momento crítico do desenvolvimento, em que é necessária a contribuição da Ciência e Tecnologia para minorar seus impactos. A Amazônia é um enorme depósito de biodiversidade e a preservação desse conjunto é fundamental”, afirma José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia.

 

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício TolmasquimTolmasquim argumentou que, aparte dos benefícios financeiros e ecológicos desse tipo de energia renovável limpa (“representa apenas 0,3% das emissões de gases de efeito estufa”, pontua), as hidrelétricas podem representar um avanço na qualidade de vida das populações afetadas, com a construção de escolas, reforma de hospitais e melhoria das moradias.
Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, lembrou o caso da hidrelétrica de Belo Monte, que “reduziu bastante sua área de inundação, o que diminuiu seu impacto”. E sublinhou que a queixa em relação ao fator de capacidade de “apenas” 42% “é um equívoco”, pois “em geral as hidrelétricas brasileiras têm um fator de 50% ou 55%”. Tolmasquim pontuou que o projeto de Belo Monte foi refeito para não atingir áreas indígenas e que 60% da área que será ocupada são constituídas de vegetação secundária antropizada.
A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Maria Tereza Fernandes Piedade detalhou a importância do ciclo hidrológico da região Norte, com foco nas áreas úmidas, aquelas nas quais a água predomina por um tempo suficiente para selecionar comunidades de plantas e animais. Elas representam de 25% a 30% da Bacia Amazônica.
O Código Florestal foi lembrado durante a sessão “Florestas”, coordenada pelo biólogo Carlos Joly, pesquisador da Unicamp-Biota. A aprovação de seu texto pela Câmara dos Deputados no dia 25 de abril foi apontada por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da USP, como uma “derrota” para a ciência.
O pesquisador do Inpa Adalberto Val e o pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi Alexandre Aleixo descreveram o cenário amazônico a partir de sua diversidade e suas oportunidades. “A Amazônia é um arquipélago do ponto de vista geográfico”, ressalta Aleixo, demonstrando as variações entre uma mesma espécie, de acordo com o local onde ela habita (como o lado esquerdo ou direito de um rio). “A ocupação não é homogênea”, destaca.

 

 

Clique aqui para ver a notícia original na página do Jornal da Ciência