Microcosmos dá início aos seus primeiros experimentos

Terminado o período de ajustes, o sistema de salas integradas que simularão cenários futuros ligados às mudanças climáticas – o Microcosmos – iniciou suas atividades neste mês de novembro. As salas, que pretendem antever os efeitos do aquecimento global previstos para este século sobre os organismos aquáticos amazônicos, receberam seu primeiro grupo experimental composto por peixes das espécies Paracheirodon simulans (neon verde) e Paracheirodon axelrodi (cardinal), ligados ao trabalho do aluno de doutorado Tiago Jesus da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. As salas receberam também exemplares de Colossoma macropomum (tambaqui) envolvidos no trabalho de alunos do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), laboratório sede do Projeto ADAPTA, evisam responder diferentes perguntas relacionadas às variações climáticas que afetam genes ligados ao crescimento e à formação de ácidos graxos, além do sequenciamento do transcriptoma da espécie em resposta às variações de CO2 e temperatura. Para o início do próximo ano estão previstos a introdução de novos organismos nas salas do Microcosmos, como plantas da espécie Echinochloa polystachya, selecionados pelos pesquisadores do grupo Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA), sob coordenação da Dr. Maria Tereza F. Piedade (INPA), que pretendem avaliar os efeitos do aumento de temperatura e CO2 sobre a toxicidade do petróleo nesta espécie. Além disso, insetos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus, ligados ao grupo de pesquisa em Malária e Dengue, coordenados pelo Dr. Wanderli Pedro Tadei (INPA), devem integrar o grupo de organismos experimentais no Microcosmos no início do próximo ano.

Por Ramon Baptista