16. Seminário dos INCTs termina com detalhamento de edital e balanço dos dirigentes

Participaram do encerramento o presidente do CNPq e o secretário executivo do MCTI

 

 

A etapa de apresentação e exposição de resultados obtidos pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs) na fase inicial do programa foi encerrada nesta quarta-feira (3), no II Seminário de Acompanhamento e Avaliação. No total, participaram do seminário 607 inscritos, 33 observadores nacionais e internacionais, além dos dirigentes, organização e equipe de apoio.

 

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, e o secretário Executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Sexec/MCTI) e coordenador do comitê, Luiz Antonio Rodrigues Elias, foram os responsáveis pelo encerramento.

 

Reunidos com os coordenadores dos INCTs, Glaucius estabeleceu uma previsão inicial para a composição do edital de renovação e formação dos novos institutos. “Neste evento tivemos a excelente notícia de que o programa, considerado estruturante e central nos planos do ministério, será renovado. Pretendemos lançar o edital entre outubro e novembro de 2013. A etapa de seleção das propostas deve ocorrer em janeiro e a avaliação dos projetos entre fevereiro e setembro de 2014″, estimou.

 

O presidente esclareceu que os INCTs já consolidados, com duração inicial de cinco anos, não serão prejudicados nesta nova seleção, mesmo que ainda haja financiamentos pendentes nesta edição.

 

“Por conta dos diferentes prazos de término desta primeira experiência devido ao período distinto de composição de grupos de INCTs, recomendo que aqueles que se enquadrem nesta prerrogativa peçam a prorrogação da vigência dos projetos, no prazo máximo de até 12 meses, já que ainda possuem financiamentos a serem liberados, para que não ocorram aplicações indiscriminadas e apressadas comprometendo a qualidade das pesquisas e iniciativas”.

 

Ainda sobre o edital, Glaucius informou que caso haja renovações, as vigências dos projetos serão conciliadas. “Não haverá impedimento dos INCTs vigentes efetuarem a inscrição no novo edital. As vigências serão casadas, sendo assim, se contemplado, o INCT terá início apenas quando for encerrado o primeiro vínculo.”

 

Questionado por um dos coordenadores presentes, o presidente relatou que as Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais, integrantes do grupo de financiadores do Programa INCTs, já manifestaram interesse em continuar envolvidos com a iniciativa. “As FAP´s estão alinhadas com o novo edital. Já tivemos essa sinalização durante a última reunião do Comitê de Coordenação”, disse. “A manifestação ocorreu não só das FAP´s que já integram o programa e que pretendem continuar apoiando, mas também de outras que querem compor o grupo”.

 

O secretário Luiz Elias manifestou interesse no aperfeiçoamento do programa e citou pilares considerados fundamentais para a ciência e tecnologia brasileiras. “Queremos avaliar e aprimorar os processos de composição dos INCT´s, para suprir as lacunas da edição inicial do programa”, disse. “A inovação, para sair da economia estática para a dinâmica, e a ampliação dos laboratórios, para aumentar a capacidade da ciência e tecnologia nacional, são considerados pilares imprescindíveis no avanço desse programa estratégico, desenvolvimento da economia e modernização da sociedade”.

 

Por último, Elias ainda pontuou que na próxima etapa, será necessário aperfeiçoar a divulgação dos resultados para a sociedade. “Temos que dar uma dimensão maior da disseminação dos INCT´s na próxima avaliação, para medir o tamanho alcançado pelo programa e para ressaltar os resultados positivos junto à sociedade”.

 

SBPC – Outra informação direcionada a coordenadores foi inserida no encerramento do seminário, mas desta vez, relacionada à reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que terá início no próximo dia 21. “O MCTI reservou um espaço para 10 INCTs. Esses poderão apresentar novamente seus resultados durante o evento que será realizado neste ano em Recife [Pernambuco]“, esclareceu Glaucius.

 

“Só que esta apresentação deve ser diferente, por conta das características do evento e local onde é organizado. Por isso, os estandes devem ser atraentes, principalmente, para os jovens, normalmente, em grande número nesses eventos”, finalizou.

 

(Assessoria de Comunicação do CNPq)

Pesquisa do Inpa avalia os impactos de um derramamento de óleo em espécies de peixes no rio Negro

A pesquisa constatou alta toxicidade do óleo para as espécies de peixes analisadas, mesmo após três meses do ocorrido, quando uma balsa da empresa Chehuan Navegações tombou provocando o derramamento de 60 mil litros da composição asfáltica primária CAP 20

Por Josiane Santos

Uma equipe do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) está analisando os efeitos do derramamento do óleo em algumas espécies de peixes, ocorrido em março deste ano no rio Negro próximo ao Porto do São Raimundo em Manaus (AM). “O monitoramento que estamos realizando, busca avaliar a resposta de enzimas e outros biomarcadores relacionados aos processos de desintoxicação dos organismos. A validação desses marcadores de exposição e efeito dos hidrocarbonetos do petróleo para as espécies de peixes analisadas é de extrema importância para o desenvolvimento de técnicas robustas para o monitoramento da qualidade da água do Rio Negro frente a contaminações por hidrocarbonetos petrogênicos”, explica a doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (PPG-BADPI) do Inpa, Helen Sadauskas Henrique. A pesquisa faz parte do projeto de seu doutorado, sob a orientação da pesquisadora do Inpa Vera Maria Fonseca de Almeida e Val. Fazem parte da equipe: os estudantes do BADPI Daiani Kochhann (doutorado) e Derek Campos (mestrado), e a estudante de ciências naturais na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e de iniciação científica do Inpa Susana Bras Mota. Resultados preliminares Segundo Sadauskas-Henrique, os biomarcadores analisados até o momento foram efetivos em demonstrar os efeitos negativos do derramamento do óleo para os peixes coletados, uma vez que foram encontradas alterações importantes nas enzimas que processam os hidrocarbonetos bem como em enzimas que indicam danos no funcionamento do fígado e alterações metabólicas nos peixes, que causam prejuízos à sobrevivência dos mesmos nesses ambientes. Além disso, a presença de hidrocarbonetos do petróleo (benzo[a]pireno, pireno e naftaleno) foi detectada na bile dos animais. Os resultados preliminares indicam que os peixes coletados até o momento ativaram vias metabólicas reconhecidas pela biotransformação e eliminação dos hidrocarbonetos do petróleo, em função do aumento da absorção dessas substâncias tóxicas pelos animais. Além disso, acrescenta Sadauskas-Henrique, o benzo[a]pireno encontrado na bile dos peixes é amplamente reconhecido por causar problemas reprodutivos, uma vez que esse composto pode atuar como desregulador endócrino a longo prazo, o que poderia causar, entre outros efeitos, a diminuição do sucesso reprodutivo e a mudança de sexo dos animais, com profundo efeito sobre as populações e comunidades de peixes naquela área. Material coletado Dois dias após o acidente, a equipe do Inpa foi até o local fazer o reconhecimento da área e selecionar os pontos de coleta. Na primeira fase do monitoramento, ocorrida 12 dias após o acidente, aproximadamente 150 indivíduos de cinco diferentes espécies de peixes foram coletados em três diferentes pontos da área comprometida, entre as quais quatro espécies de ciclídeos (tucunaré-paca, acará-boari, acará-bicudo e acará papa-terra) e uma espécie de caracídeo (aracu). A segunda fase do monitoramento ocorreu após 45 dias do acidente, sendo repetidos os mesmos procedimentos da primeira. Os pesquisadores constataram alterações relevantes nos biomarcadores dos peixes coletados nesse ambiente, sendo que na segunda fase do monitoramento, essas alterações foram ainda mais evidentes. Os pesquisadores também realizaram coletas no lago Tupé, 35km da cidade de Manaus, para comparar as respostas dos biomarcadores das espécies de peixes do local poluído com as mesmas espécies que habitam um local sem poluição. As amostras estão sendo analisadas no Centro de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta) no Inpa. Próximas etapas A terceira fase do monitoramento está prevista para o mês de Julho. A cada nova coleta serão analisados os mesmos biomarcadores nos peixes, sendo estes comparadas com as respostas analisadas nas fases anteriores do monitoramento. “O monitoramento ambiental é baseado em observações científicas das mudanças que ocorrem no ambiente ao longo do tempo, não somente em função das mudanças naturais, mas também as causadas pelo ser humano. Nesse contexto, nós precisamos avaliar as mudanças ambientais que estão ocorrendo em função do impacto causado pelo derramamento do óleo na região afetada. Apesar do derramamento ocorrido no Porto São Raimundo ser caracterizado como agudo (vários litros de óleo foram derramados apenas uma vez no ambiente), precisamos avaliar se essa contaminação prevalecerá ao longo do tempo. Assim, por meio das alterações que observamos nos peixes ao longo das coletas realizadas podemos inferir sobre a qualidade do ambiente aquático na área afetada”, ressalta.

fonte: www.inpa.gov.br