CONCEA abre consulta pública para o texto base de Experimentação Animal

Texto base restringe o uso de animais em laboratório.

 

Intitulado Diretriz Brasileira de Prática para o Cuidado e a Utilização de Animais para Fins Científicos e Didáticos, o texto base deverá ser apreciado pela sociedade antes de ser aprovado. Segundo a professora Eleonora Trajano, da USP, é importante que um número grande de pessoas participem, pois as perspectivas não são boas para os biólogos e nem para os demais profissionais.

 

Dentre as suas competências do CONCEA destacam-se a formulação de normas relativas à utilização humanitária de animais com finalidade de ensino e pesquisa científica, bem como estabelecer procedimentos para instalação e funcionamento de centros de criação, de biotérios e de laboratórios de experimentação animal.

 

Acesse o Texto Base e Formulário e Sugestões para o Texto Aqui !

Coordenador do ADAPTA comenta tema de mesa redonda

“MARANHÃO: UM ENCONTRO DE BIOMAS” Foi o tema  de um dos  debates que aconteceu  dia 26 de Julho, no mini-auditório do Centro Paulo Freire, na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Dr. Adalberto Luis Val, coordenador do ADAPTA, coordenou a mesa redonda que tratou dos Biomas de intercessão entre a Amazônia, caatinga e serrado.

 

Durante o debate, Adalberto Val comentou que esse assunto é fundamental para ajudar a entender a biodiversidade do Estado do Maranhão. “As questões abordadas pelos pesquisadores, são de extrema importância, pois acomete a questão de regiões ecótonas, que são regiões em transição ambiental, entre um ecossistema e outro. No caso do Maranhão, temos o bioma da Amazônia e do cerrado”, expôs Val.

 

Terminado o evento, Val respondeu algumas perguntas feitas pela equipe editorial do website ADAPTA, relacionadas à questão. Confira abaixo:

 

Existe aquecimento global provocado pelo homem ou as ações antrópicas possuem apenas efeitos no clima local?

ALV: O aquecimento global que vivemos decorre fundamentalmente do incremento da concentração atmosférica dos gases de efeito estufa que tem nas ações do homem sua principal fonte. Portanto, sim, existe uma relação direta entre o aquecimento global e as ações antrópicas. Os efeitos do aquecimento global podem ser ampliados localmente em função das características específicas do ambiente, particularmente expondo os organismos a situações ambientais mais estressantes.

 

Como o projeto ADAPTA se aplica a biomas como a caatinga e o serrado e de que forma a degradação da Amazônia pode influenciar em regiões compostas por outros biomas?

ALV: Os ambientes não são entidades isoladas – se comunicam, interagem, trocam informações. Não é a caatinga ou o serrado ou as regiões pristinas da Amazônia que estão determinando as mudanças climáticas, mas vão sofrer seus efeitos. O projeto ADAPTA pretende verificar como as informações contidas no genoma dos organismos aquáticos atuais se ajustam, ou são capazes de se ajustar, para proporcionar as condições para que sobrevivam a essas mudanças ambientais desafiadoras. Acreditamos que a história evolutiva, particularmente dos peixes, tenha preservado parte das informações que já tornaram possível a esses organismos enfrentarem situações semelhantes a milhões de anos atrás. As informações científicas decorrentes desses estudos no âmbito do ADAPTA poderão contribuir para entender processos similares em outros biomas.

 

As adaptações dos organismos às mudanças climáticas são diferentes em biomas distintos?

ALV: Adaptações de uma maneira geral está baseada em ajustes orgânicos capazes de dotar os organismos das condições necessárias a manutenção de suas funções biológicas, incluindo a contribuição para a manutenção da espécie. Ainda que diferentes situações ambientais exijam diferentes respostas orgânicas, elas refletem ajustes de um mesmo sistema informacional, em função da unicidade dos sistemas biológicos.

 

Como o Sr.pretende difundir os conhecimentos gerados pelo projeto ADAPTA nas regiões de interseção ou de biomas distintos da Amazônia?

ALV: A ciência tem meios muito bem definidos para a circulação da informação no seu seio. Entretanto, o maior desafio atual é a decodificação da informação e sua socialização. Nesse quesito, o ADAPTA, com o apoio do CNPq e da FAPEAM, tem adotado várias ações que passam pela produção de material impresso,  apresentação se seminários, contribuição com a produção de programas para a televisão, cursos, entre outros. A nossa participação na recente reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), realizada em São Luiz, uma área ecotonal diversa, ilustra nossas iniciativas nesse sentido.

 

Como o Sr. acha que interesses comerciais ou da sociedade civil tem influenciado nas ações políticas no que tange à manutenção do clima na Amazônia e no Brasil?

ALV: Penso que a sociedade brasileira e mundial está amadurecendo rapidamente para as questões ambientais e, principalmente, para o fato de que nossas atitudes determinam a conservação dos ambientes para as gerações futuras. Uma sociedade conscientizada a esse respeito determina como se dão os interesses comerciais de uma maneira geral. Cada vez mais as pessoas vão adquirir objetos que para sua produção não tenha se valido da destruição do ambiente. Assim, interesses comerciais e sociais podem contribuir tanto para a conservação ambiental como vice-versa. Felizmente, a conscientização que vem acontecendo sinaliza que estamos num processo de mudança para um novo momento.