Pesquisadores preveram cheia recorde do Rio Negro

A enchente do rio Negro, que no dia 16/05 alcançou a marca recorde de 29,78 metros, pode atingir níveis bem maiores até meados de junho, quando segundo o registro feito nos últimos 110 anos, ocorre o pico das cheias do rio.
Hidrólogo da CPRM explica que, apesar da subida lenta, o rio Negro ainda vai receber influência da cheia do rio Branco.
Este ano, a cheia do rio Negro, em Manaus, se antecipou em 15 dias, mas a vazante não segue essa tendência. O chefe do departamento de Hidrologia da Superintendência Regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Daniel de Oliveira, explica que o nível do rio Negro ainda deve continuar subindo porque ele está recebendo influências da cheia do rio Branco, em Roraima, onde as chuvas ainda permanecem intensas.
“Hoje, a gente (CPRM) não afirma que está terminando o período de subida das águas. Estaria se esse efeito fosse somente ocasionado pelo represamento do rio Solimões. Mas, segundo previsões do Instituo Nacional de Meteorologia (Inmet) e do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), ainda vai chover em Roraima, onde está o rio Branco que deságua no rio Negro”, frisou Daniel.
No último boletim de monitoramento do CPRM – divulgado na quinta-feira – a bacia do rio Negro, no Município de Barcelos (a 399 quilômetros de Manaus), estava 43 centímetros abaixo da cheia máxima registrada em 1976, quando a cota atingiu 10,32 metros.
Porém, em Manaus, o rio Negro estava 15 centímetros acima da cheia recorde de 2009 quando a cota registrada foi de 29,77 metros. De quarta até sexta-feira, o ritmo de subida das águas do rio Negro estava se mantendo em 1 centímetro ao dia. “Embora hoje o rio Negro esteja subindo somente um a um centímetro, o represamento do rio Solimões está diminuindo”, acrescentou.
A água do rio Negro já invadiu o Terminal Central da Praça da Matriz e interditou o trânsito de veículos leves.
No Porto Privatizado de Manaus carros e motos trafegam numa pista que está com a água no mesmo nível da registrada na ala de atracação dos barcos.
Planejamento
Com enchente recorde nos rios do Estado, o Poder Público está correndo para tentar minorar o problemas das populações atingidas. A pressa expõe a falta de planejamento e a não observância dos avisos.
Com dois meses de antecedência, por exemplo, os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) Maria Teresa Fernandez Piedade e Jochen Schongart divulgaram um estudo mostrando que a cheia iria ser recorde.
“Nosso modelo de acompanhamento da temperatura dos oceanos e do volume de chuvas já indicava isso”, disse Maria Teresa, lembrando que o aviso permitia o planejamento de ações que minimizassem os efeitos da calamidade.
O CPRM também alertou para a gravidade do quadro. “No primeiro alerta para Manaus a previsão mínima já indicava uma cheia próxima de 29m. Foram quase dois meses e meio de antecedência, suficiente para se prepararem”, disse o superintendente da CPRM, Marco Antônio de Oliveira.

 

Fonte: http://acritica.uol.com.br/amazonia

Grupo de Trabalho da ABC e SBPC repudiou aprovação do novo Código Florestal

A expectativa do grupo de trabalho do Código Florestal, instituído pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência  (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) para analisar a proposta do novo Código, era de que o texto aprovado no Senado Federal fosse melhorado ou pelo menos aprovado na Câmara dos Deputados, o que não ocorreu. Pelo contrário,  o resultado foi pior.

Mesmo no relatório aprovado no Senado mostramos pontos deficientes que precisariam mudar. Exemplo: as Áreas de Preservação Permanentes (APPS) nas margens de cursos d’água deveriam ser integralmente restauradas e demarcadas a partir do nível mais alto do rio, e não de um nível regular como foi aprovado.

Enfatizamos que as comunidades tradicionais, agricultores familiares e ribeirinhos deveriam ter um tratamento diferenciado e
não que houvesse uma generalização para todos os produtores agrícolas.

Continuamos sendo contrários a incluir APPs no computo das Reservas Legais (RLs). Nas recuperações de RLs o uso de espécies
exóticas não deveria ser transformado em uso definitivo. Encaminhamos nossas sugestões para o Senado, mas não foram consideradas. Mesmo assim o texto do Senado era melhor que o aprovado no ano passado na Câmara dos Deputados.

Um projeto que vem sendo discutido há mais de 10 anos e que é tão importante para o país não poderia ser votado em forma de
disputa de poder dentro do Congresso Nacional. Foi uma batalha entre partidos políticos e da bancada ruralista versus a bancada ambientalista. Venceu quem tinha maior número. Também se observa que mais de 100 deputados faltaram na votação. Existem justificativas ou esses deputados não queriam se comprometer perante suas bases eleitorais? No final, foi uma disputada na qual quem saiu perdendo foi o país como um todo.

A aprovação da liberação de crédito para quem desmatou irregularmente, Estados passarem a decidir sobre autorização de exploração agrícola em APPs, faixas de APPs medidas a partir do leito regular, apicuns e salgados não serem considerados áreas de preservação permanente (APPs), anistia para quem desmatou irregularmente, entre outros, são exemplos de pontos polêmicos que irão ser reavaliados pela Presidente Dilma, pelo menos é o que se espera.

Nós que fazemos parte do GT lamentamos muito o que ocorreu ontem, esperávamos que houvesse acordos entre partidos políticos, ambientalistas e ruralistas, para que o agronegócio brasileiro continuasse crescendo, mas com sustentabilidade ambiental. Todos teriam que ceder para somar, mas prevaleceram os interesses de grupos e demonstração de poder  político, isto é o que interessa no Congresso, os interesses do Brasil ficam em segundo plano.

José Antônio Aleixo da Silva, PhD.

Prof. Associado do Departamento de Ciência Florestal – UFRPE

Diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC

Coordenador do Grupo de Trabalho da SBPC e ABC que estuda o Código Florestal

Isolation of microsatellite loci in the Amazon sailfin catfish Pterygoplichlhys pardalis (Castelneau, 1855) (Teleostei: Loricariidae)

Rosalina P. Pereira, Carlos Henrique dos A. dos Santos, Priscila Roberta M. Nascimento, Gisele T. Clímaco, Adna Cristina B. Sousa, Tatiana Campos, Alexandre Manoel K. Vergueiro-Júnior, Maria N. Paula-Silva and Vera Maria F. Almeida-Val

Conservation Genetics Resour (2012), Volume 4: pp 889-891

 

Pesquisadores do ADAPTA participam da Reunião Magna da ABC

Agricultura, água, energia e florestas foram alguns dos assuntos do primeiro dia do evento realizado pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), cujo tema foi “Ciência para o Desenvolvimento Sustentável”.

 

O evento ocorreu do dia ao 10 de maio e contou com a presença de autoridades de diferentes instituições científicas, além da presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp e  a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader. As discussões foram amplas, mas em muitos momentos se focaram na Amazônia.

 

“Estamos em um momento crítico do desenvolvimento, em que é necessária a contribuição da Ciência e Tecnologia para minorar seus impactos. A Amazônia é um enorme depósito de biodiversidade e a preservação desse conjunto é fundamental”, afirma José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia.

 

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício TolmasquimTolmasquim argumentou que, aparte dos benefícios financeiros e ecológicos desse tipo de energia renovável limpa (“representa apenas 0,3% das emissões de gases de efeito estufa”, pontua), as hidrelétricas podem representar um avanço na qualidade de vida das populações afetadas, com a construção de escolas, reforma de hospitais e melhoria das moradias.
Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe/UFRJ, lembrou o caso da hidrelétrica de Belo Monte, que “reduziu bastante sua área de inundação, o que diminuiu seu impacto”. E sublinhou que a queixa em relação ao fator de capacidade de “apenas” 42% “é um equívoco”, pois “em geral as hidrelétricas brasileiras têm um fator de 50% ou 55%”. Tolmasquim pontuou que o projeto de Belo Monte foi refeito para não atingir áreas indígenas e que 60% da área que será ocupada são constituídas de vegetação secundária antropizada.
A pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) Maria Tereza Fernandes Piedade detalhou a importância do ciclo hidrológico da região Norte, com foco nas áreas úmidas, aquelas nas quais a água predomina por um tempo suficiente para selecionar comunidades de plantas e animais. Elas representam de 25% a 30% da Bacia Amazônica.
O Código Florestal foi lembrado durante a sessão “Florestas”, coordenada pelo biólogo Carlos Joly, pesquisador da Unicamp-Biota. A aprovação de seu texto pela Câmara dos Deputados no dia 25 de abril foi apontada por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da USP, como uma “derrota” para a ciência.
O pesquisador do Inpa Adalberto Val e o pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi Alexandre Aleixo descreveram o cenário amazônico a partir de sua diversidade e suas oportunidades. “A Amazônia é um arquipélago do ponto de vista geográfico”, ressalta Aleixo, demonstrando as variações entre uma mesma espécie, de acordo com o local onde ela habita (como o lado esquerdo ou direito de um rio). “A ocupação não é homogênea”, destaca.

 

 

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