“Mudanças Climáticas e Peixes de Água Doce foi tema de pelestra no LEEM

Dr. Adalberto Luis Val, coordenador do ADAPTA, apresentou hoje (01/03/2012) palestra para estudantes e convidados durante o tradicional Café com Ciência, que ocorre toda primeira quinta-feira de cada mês no Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM), laboratório sede do projeto. Veja as fotos !

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista com estudante hawaiano revela nova possibilidade de parcerias

O estudante Norte-Americano Christian  Clark está há 3 semanas no Brasil acompanhando trabalhos de pesquisadores do projeto ADAPTA, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), por meio de um  programa de cooperação internacional. Leia abaixo a entrevista com Christian sobre o contexto desta visita.

 

1. Como você ficou sabendo do INPA e por quê escolheu o LEEM para esse intercâmbio ?

 

             - Eu descobri o INPA através do amigo de um amigo, que havia feito seu mestrado nesta instituição, trabalhando com piranhas. Depois desse contato, eu percebi o grande volume de pesquisas realizadas na Amazônia e as oportunidades me pareceram intermináveis.  Eu escolhi o LEEM por duas razões: pela recomendação do amigo que havia trabalhado no LEEM e pela forte reputação do laboratório.

 

2. Como foram os primeiros contatos para a consolidação desta visita ?

 

            – Bem, após conversar com meu amigo ele concordou em contactar seu orientador para tratar da possibilidade de eu passar um tempo no INPA. Não esperando uma resposta tão rápida, me voltei ao planejamento do periodo final  da minha bolsa de estudos. Dentro de 24 horas eu recebi um e-mail do Dr. Adalberto Luis Val me convidando para visitar o INPA. Os meses seguintes foram gastos planejando e obtendo a papelada necessária para o visto de pesquisa.

 

3. Qual instituição você está associado e qual campo de pesquisa você estuda ?

 

          – Atualmente eu estou associado ao Our World-Underwater Scholarship Society e à North American Rolex Scholar. Antes de obter a bolsa de estudos eu trabalhei com pesquisa na University of  Hawaii e na University of Maine. Meu campo de estudos é um pouco amplo, variando entre a oceanografia biológica e zoologia marinha.  Meus dois focos de estudo me levaram à Antarctica, para estudar ecologia bentônica, e à cadeia insular hawaiana, que vai do Hawai ao atol de Kure, pesquisando sobre predadores de topo de cadeia.

 

4. Quais são seus objetivos durante seu periodo no INPA e a importância desta visita para você e para sua instituição ?

 

            – Meus objetivos no INPA são compreender melhor os tipos de pesquisas feitas na Amazônia, assim como conhecer especialistas de cada área de pesquisa, quando possível. Além disso, a Amazônia é um dos lugares mais interessantes e fantásticos do mundo, onde sempre quis visitar desde criança.  A importância desta visita para minha instituição é estabelecer contatos para que futuros estudantes se beneficiem da possibilidade de construção de uma parceria sólida entre a Our World-Underwater Scholarship Society e o INPA, a Amazônia e até o Brasil.

 

5. Como você pretende disseminar o conhecimento adquirido durante este period e quem irá se beneficiar com esse conjunto de informação ?

 

              -Além de um projeto multimidia com fotos e vídeos, estou divulgando regularmente minhas experiências ao longo desta bolsa no meu blog. Assim, espero trazer uma maior consciência para as impressionantes linhas de pesquisas realizadas no INPA e na região amazônica.

 

Por Ramon Baptista e Márcio Ferreira

 

Inpa avalia efeitos de mudanças climáticas na população de tambaquis

O tambaqui (Colossoma macropomum) é hoje a primeira espécie cultivada na Amazônia e a segunda no Brasil

 

Por Fernanda Farias

 

 Com intuito de aprofundar estudos sobre uma das mais importantes espécies para a piscicultura na Amazônia e no Brasil, o projeto intitulado “Crescimento do tambaqui em cenários de mudanças climáticas”, coordenado pelo pesquisador e diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Adalberto Val, e pelas pesquisadoras, Vera Almeida Val, e Alzira Oliveira, teve início em 2011 e analisa como as condições ambientais, daqui a cem anos, afetarão o crescimento das espécies de tambaqui.

 

Segundo os pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Centro de Estudos de Adaptações da Biota Aquática da Amazônia (Adapta), e do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular (LEEM) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), o objetivo do projeto é analisar os efeitos das condições ambientais a partir das previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) para 2100. “Nunca se testou o efeito dos cenários previstos para daqui a cem anos sobre organismos vivos porque é impossível recriar uma paisagem exatamente igual à que ocorrerá no futuro. Entretanto, podemos submeter os organismos vivos a uma atmosfera parecida, explica a pesquisadora Vera Val.

 

A proposta da pesquisa se apoiou nas alterações ambientais que presenciamos atualmente em escala mundial, como o derretimento das calotas polares, tsunamis e outros eventos climáticos. “Esses fenômenos podem se tornar preocupantes para a biodiversidade em cenários futuros, devido ao aquecimento global. E para a Amazônia, isto se torna ainda mais alarmante por ela estar situada no cinturão equatorial, por suas riquezas naturais e
diversidade de espécies”, explicita a pesquisadora.

 

Clima poderá interferir no crescimento dos tambaquis             

 

Em relação à população de peixes, muitas espécies desenvolveram mecanismos adaptativos para sobreviverem às mudanças ambientais naturais, como o aumento do gás carbônico presente na água. “Os experimentos que estamos realizando, nos chamados microcosmos, vão esclarecer à sociedade o que pode acontecer com organismos aquáticos submetidos a temperaturas mais elevadas e com níveis elevados de CO2, em cenários cuja umidade poderá ser maior ou menor, esclarece Vera. Com esse aumento da temperatura, o tambaqui, considerado uma espécie com grau de adaptação elevado para os diferentes ambientes em que é submetido, pode desenvolver perturbações fisiológicas que ocasionarão, entre outros desequilíbrios, uma inibição do seu crescimento, afetando toda população que o tem para consumo e sustento econômico. “Se o aumento da temperatura e do CO2 resultar em diminuição do crescimento do tambaqui, a população ribeirinha será afetada negativamente pela redução na oferta de proteína dessa espécie”, expõe.

 

A pesquisadora explica ainda que o experimento começou fora do microcosmo, em tanques onde temperatura e o gás carbônico foram controlados apenas na água. A partir disso, deu-se início aos experimentos no microcosmo, onde a atmosfera é controlada. “Podemos equilibrar a temperatura e o CO2 da água no microcosmo. Depois vamos expor os tambaquis a um período de tempo bem maior e verificar sua resposta fisiológica e zootécnica, como ganho de peso e crescimento, resume.

 

Mercado consumidor X extinção

 

Por ser um peixe robusto e bastante apreciado na região amazônica, o tambaqui tem um grande valor no mercado pesqueiro, o que faz movimentar a economia e melhorar a qualidade de vida de quem usa essa espécie como produto. Mas será que a grande cobiça pela espécie, agregada às mudanças no clima poderão levá-la à extinção?  

 

Os pesquisadores alertam que para uma espécie ser extinta, ela passa por várias fases, até ser dizimada. A principal delas é a perda de seu habitat natural, que pode diminuir sua população até seu desaparecimento. “As populações de tambaqui ainda se apresentam com níveis de variabilidade genética bons na natureza. Entretanto, uma perda de habitat, causada por mudanças nas condições ótimas de seus ambientes, pode causar perdas de
indivíduos menos adaptados, diminuindo o tamanho populacional”, explica Vera Val.

 

O que pode ser feito se um perigo de extinção vier assolar essa espécie tão apreciada pelos amazonenses é depositar, nesses locais, alevinos, que são larvas de peixes. Pode ocorrer o desaparecimento de tambaquis, onde o ambiente não é mais propício para eles, onde não há mais condições físicas apropriadas. Nesses lugares poderá ser realizado o repovoamento com alevinos provenientes de criação em cativeiro, que são criados especificamente para esse fim, finaliza.

 

Laboratório de Genética Animal do INPA publica trabalho sobre cariótipo do jaraqui

O trabalho intitulado “Stable Karyotypes: a general rule for the fish of the family Prochilodontidae”  foi publicado online em 01 de fevereiro de 2012 na revista Hydrobiologia, a partir de dados gerados pela MSc. Maria Leandra Terencio, doutoranda do Laboratório de Genética Animal do INPA (participante do ADAPTA) e orientada pela Dra. Eliana Feldberg. São co-autores do trabalho MSc. Carlos Henrique Schineider, Dra. Claudia Gross, Dr. Marcelo Ricardo Vicari e Dra. Eliana Feldberg. Com o intuito de divulgar os resultados dos trabalhos que tem sido desenvolvidos no âmbito do ADAPTA, a Dra. Vera Val, coordenadora do laboratório sede do ADAPTA e Coordenadora de Programas Aplicados do projeto entrevistou Terêncio. Leia abaixo a entrevista na íntegra: 

 

O que são Cariótipos Estáveis?

 

O termo “estabilidade caritípica” é utilizado para referir um nível muito baixo de variação tanto na morfologia quanto no número cromossômico. Quando falamos de cariótipos estáveis nos referimos à estrutura cariotípica dos peixes da família Prochilodontidae. As espécies que compreendem essa família posuem um conjunto de características  morfológicas muito similares o que dificulta a distinção destas espécies nos estudos de sistemática filogenética, Esta estabilidade é estendida ao nível cromossomico. Utilizando ferrramentas da citogenética clássica é impossivel distinguir o cariótipo destas espécies pois todas elas apresentam um número diplóide de 54 cromossomos do tipo metacentricos e submetacêntricos. Entretanto, utilizando ferramentas da citogenética molecular, através do mapeamento físico de genes ribossomais (5S e 18S) verificamos que esta estabilidade não se estende ao nível genômico, já que diferenças na localização destes genes foram verificadas em duas espécies de Semaprochilodus, o jaraqui escama fina e o jaraqui escama grossa.

 

Por que e quando ocorrem?

 

Por que certos grupos apresentam cariótipos estáveis é uma pergunta cuja resposta não é simples nem direta, muitos fatores contribuem para isso: a seleção natural, tempo evolutivo, distribuição geográfica, quantidade de DNA, estrutura e número cromossômico, entre outros.

 

Qual a importância deste trabalho no âmbito do projeto ADAPTA?

 

Os resultados deste trabalho são importantes no âmbito do projeto ADAPTA pois trata-se de um estudo genético o qual contribui com informações relevantes a respeito de um peixe muito popular na nossa região, o jaraqui. Observamos que o ambiente genômico nestas espécies é dinâmico refletido na grande quantidade de sítios de DNAr 5S detectados. Mas muitas perguntas ainda precisam ser respondidas, como por exemplo: Que fatores influenciaram e/ou influenciam na mobilização destes sítios?

 

Você pretende continuar nesta linha de estudo?

 

Pretendo sim. Este artigo refere-se ao primeiro capítulo da minha tese de doutorado. Acreditamos que as sequencias repetitivas contribuem grandemente nessa dinâmica evolutiva, por conta disso, estamos realizando um mapeamento destas sequencias repetitivas no genoma das duas espécies de jaraqui. Além disso, estamos investigando o sistema de cromossomos sexuais presente no jaraqui de escama fina: Por que somente esta espécie na família Prochilodontidae apresenta cromossomos sexuais diferenciados? Para tentar responder esta questão, isolamos o cromossomo W por meio da microdissecção cromossômica e obtivemos sequencias de DNA W-específicas.

Como as mudanças climáticas poderiam afetar esse tipo de arranjo cariotípico?

 

As mudanças climáticas poderiam sim afetar a estrutura cromossômica. Alguns resultados preliminares  já indicam que o genoma destas espécies (jaraqui) é rico em sequencias repetitivas, inclusive retrotransposons, que são sequencias móveis  que conferem alta instabilidade genômica, podendo silenciar, inativar e duplicar cópias gênicas.  É sabido que um dos mecanismos que levam a ativação e mobilização destes elementos transponíveis é o stress celular, que pode ser desencadeado pelas mudanças climáticas. Estudos realizados com outras espécies de peixes indicam uma variação no
padrão de distribuição de elementos transponívies conforme o tipo de água em que habitam (preta, branca e clara). O mesmo resultado foi encontrado ao comparar peixes que vivem no ambiente antropizado e não antropizado.

 

Você teria como testar alguma mudança no cariótipo desses indivíduos por meio de experimentos nos microcosmos?

 

Acredito que experimentos que envolvam alterações nas caracterísiticas fisico-químicas da água poderiam alterar o genoma de forma sutil, mas não evidenciável ao nível cariotípico.

 

Secretária de Estado palestra para estudantes e pesquisadores do ADAPTA

A palestra intitulada “Política Ambiental do Amazonas” foi proferida pela Secretária de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Sra. Nádia Cristina d’ Ávila Ferreira, e ocorreu neste dia 02/02/2012 durante o tradicional Café com Ciência do LEEM (laboratório sede do ADAPTA) que ocorre sempre ás 10:30 hs na primeira quinta-feira de cada mês. O objetivo principal da palestra foi expor as prioridades da secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável no atual governo. Os principais temas abordados  pela secretária foram o aperfeiçoamento da matriz energética no estado, o andamento dos projetos de manejo envolvendo setores da cadeia produtiva (pesca, borracha e madeira), a regularização fundiária de comunidades tradicionais comprometidas com a recuperação de áreas degradas em Áreas de Preservação Permanente (APP`s) e a criação de conselhos e fóruns de meio ambiente em cada um dos municípios do estado, prevista para até 2014. A atuação da Sra. Nádia Ferreira se baseia na sua ampla experiência profissional nas áreas de meio ambiente e desenvolvimento sustentável, na gestão de projetos e na presidência dos conselhos estaduais de meio ambiente, recursos hídricos, geodiversidade, povos e populações tradicionais, além de ter atuado no sistema de educação profissional tecnológica e na gestão de qualidade total (ISO 9001). Sua formação foi em Ciências Biológicas pela Fundação Técnico Educacional Souza Marques – RJ (1984) com posterior mestrado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – INPA (1989). Fez também Pós-Graduação em Gestão e Qualidade Total no Instituto Euvaldo Lodi – CNI/UFAM (1999). A coordenadora do LEEM e de Programas Aplicados do ADAPTA, Dra. Vera Val, foi quem entregou certificado de participação à secretária.

 

Por Ramon Baptista e Márcio Ferreira